
Estamos em 1985. Ano em que cheguei ao mundo.
A confusão instalou-se. Muitos rostos desconhecidos. Todos sorridentes. Creio que foi pela minha chegada.
Com o passar dos meses fui percebendo quem eram aquelas pessoas. Para além dos meus pais existiam umas pessoas mais velhas a quem insistiam em chamar de avós. Fui crescendo. Ao meu lado mantinham-se os avós. Os que viviam comigo (pais da mãe) e os que ia visitar ao fim de semana (pais do pai).
Cresci no campo e foi lá que aprendi o sentido da vida. Com o passar dos anos a ligação neta avós foi-se tornando cada vez mais forte. Era muito o tempo que passava com os meus avós maternos. Um dia com os meus avós era uma grande azáfama. Para eles o dia começava bem cedo, para mim apenas por volta das 8 ou 9 da manhã. Ia com a minha avó até à quinta onde o meu já se encontrava a trabalhar.
Quando chegávamos já ele tinha tratado dos animais (vacas, galinhas, perus, coelhos, cães e gatos) e estaria a regar ou a mondar alguma horta. A minha avó ia à horta buscar os alimentos para preparar a refeição. Casinha de pedra, cozinha com fogão de lenha, uma grande lareira e apenas uma pequena janelinha para a vila. Gostava de ficar a ver televisão na sala onde apenas existia um sofá, um móvel com uma televisão de madeira por cima. Em todo o redor da sala havia muitas portas que davam acesso a quartos. Depressa se avizinhava a hora do almoço. Com ela apurava-se o cheiro da comida que a avó fazia com carinho. De verão, a mesa enchia-se de pessoas que ajudavam a tratar dos campos. Toda a gente comia e bebia com um sorriso no rosto. Hummmm! Agora já sabe bem a comida da avó. Depressa as vozes que ecoavam em torno da mesa se calam e em toda a casa apenas resta o cheiro da comida e o silêncio… bom e o ressoanar do avô que dormia a sesta no sofá da sala.
Começa o movimento novamente. O avô regressa aos campos. Agora tenta trabalhar onde haja sombra. A avó fica a arrumar a cozinha. Vou ajudar. Talvez estrovar seja o termo certo. Adoro salpicar tudo com água,mas a avó não se chateia. Vou com ela dar comida aos cães Bobbi e Flapi. Bobi era um cão muito velhinho e muito pachorrento. Passava a maior parte do dia a dormir. Se não estivesse a dormir havia de estar a rosnar a alguma coisa que mexesse. Flapi era o mais novo. Sempre aos pulos, cheio de alegria e vivacidade. Recordo que fazia uns barulhos estranhos com o nariz e gostava de apanhar as mocas que passavam por ele. Já é meia tarde. Vou com a avó para o campo. Não sou grande ajuda mas gosto de ir com ela. Entre “bonecas de erva”, campos de batatas, ameixoeiras, pessegueiros e outras arvores de fruto vou brincando com os meus amigos imaginários. Faço perguntas à avó. O avô houve um pouco mal e para ele ouvir tenho que gritar.
É hora da merenda. A avó preparou tantas coisas boas. Leva tudo dentro de uma cesta para o campo. Sentados á sombra de uma arvore toda a gente lancha e à novamente uma grande algazarra. Fala-se das colheitas do trabalho que ainda está por fazer.
O sol começa a descer. Está na hora de refrescar os campos. Gosto desta parte. Molhar os pés nos regos da água e sujar-me toda na terra molhada. A avó ralha-me. A mãe e o pai já chegaram do trabalho. Ouço a mãe resmungar porque estou toda suja e leva-me imediatamente para a banheira. Não sai dali enquanto não estiver toda limpinha. A mãe fica na cozinha com a avó a preparar o jantar. Eu vou ver o que o meu pai e o meu avô estão a fazer. Ajudo a alimentar os animais. Tento perceber como se ordenha uma vaca. A mãe já chamou para jantar. Agora apenas os cinco sou eu o centro das atenções. Conto tudo o que fiz.
Estou tão cansada. Um beijinho a todos e vou dormir, pois amanhã será outro dia cheio de coisas novas.
2 comentários:
Parabénssssssssssss sobrinha - por muitos anos e bons!Vivóavô a mais a neta!!!
Beijocas
O elo familiar, as raízes, são o garante do nosso futuro. Quem como tu, crias um blog para celebrares os teus antecedentes só podes ter grandes e bonitos prencípios. É lindo ter sempre no coração os nossos familiares e amigos. Para os descendentes... é um exemplo para que todos consigam viver de mão dada e prontos a ajudarem-se mutuamente.Às veses, não é umna ajuda material! basta lembrar o que é que vimos fazer ao nosso avô ou avó no passado para nos lembrar de como agir correctamente perante alguma dificuldade!
Parabéns Catarina. 5*****
joca
RP
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